Sobre o machismo na mídia e o estupro no Big Brother Brasil
Carta aberta as telespectadores brasileiros
Sobre o machismo na mídia e o estupro no Big Brother Brasil
“Joga pedra na Geni!
Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!”
Geni e o Zepelin, Chico Buarque
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Todos os dias, ao ligarmos a televisão ou até mesmo lendo uma reportagem, no que se refere às mulheres a representação é quase sempre a mesma: reforçando estereótipos, mercantilizando o corpo. Somos apenas peitos e bundas vendidas junto a várias logomarcas de cervejas. Somos “multi-mulheres” e ate podemos ser bem sucedidas profissionalmente, mas a mídia sempre nos “vende” ou como super maquinas sexuais ou no singelo papel de boas mães, quando vem ao caso.
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Os meios de comunicação são hoje um dos principais espaços de formação da sociedade e da opinião pública e o que se vê é uma naturalização das práticas machistas que estimulam a violência em relação ao sexo feminino. Um bom exemplo pode ser tirado do Big Brother Brasil do ultimo domingo, 15 de janeiro, quando o apresentador Pedro Bial ao entoar o mantra de que “o amor é lindo” permitiu que cenas fossem exibidas em que uma participante do programa era estuprada “ao vivo”.
O ponto critico e anti-ético desta situação reside no fato de que Pedro Bial, apresentador do Big Brother Brasil, é um jornalista que deveria estar cumprindo com a sua responsabilidade social da construção de uma sociedade mais justa. Ao permitir que a referida cena tenha sido levada ao ar em forma de espetáculo sensacionalista, Bial não apenas incentiva a opressão contra as mulheres, mas também dá aval a um dos crimes considerados hediondos pelo Código Penal Brasileiro.
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A Globo e o BBB
O que ocorreu no domingo, 15/01/12, no programa Big Brother Brasil foi uma emissora, que só consegue sua concessão através do Estado, ser conivente com um estupro, transmiti-lo em rede nacional, e tentar abafá-lo. Quando uma mulher não está em condições de consentir algo, como foi no caso da participante do programa, seja por qual motivo for, se o homem prossegue na ação ele a está agredindo, está realizando um estupro.
O que a Rede Globo vem tentando fazer com suas tradicionais edições manipuladas é levar ao público um debate moral, um julgamento, construindo uma imagem de que se uma mulher está alcoolizada ou com trajes curtos ela pede para sofrer um abuso.
E nós comunicadoras e comunicadores?
Enquanto Mulheres Comunicadoras repudiamos uma mídia que reforça o machismo, que fere a autonomia das mulheres, e que é um dos principais espaços de naturalização dessas práticas.
A sociedade se vê com poucos recursos para intervir em casos como esse. O que nós, enquanto estudantes de comunicação e militantes da Enecos acreditamos? Que a Democratização da Comunicação é também uma pauta das mulheres!
E o que acontece com a Rede Globo? Nada. Porque dentro de uma lógica de comunicação como mercadoria, o interesse econômico fala mais alto que o interesse social. Temos um país e poucas vozes, aonde a produção da informação midiática está concentrada nas mãos de 7 famílias e 2 igrejas, que vêm regulamentação da mídia como um instrumento de censura.
O Controle Social da Mídia é importantíssimo para que o machismo e a opressão não se perpetuem. Se a sociedade puder intervir, o caso do BBB não terá o mesmo destino do quadro do Zorra Total, que mesmo incentivando o estupro, e com pressão de diversas organizações continuou no ar.
Mexeu com uma, mexeu com todas!
Por uma mídia que nos represente!
Coletivo Nacional de Mulheres da Enecos, 18 de janeiro de 2012
